sábado, 21 de fevereiro de 2009

Boa noite meu amor

Acendo o cigarro como quem acende a esperança. Fumo-o como se fosse o último. Como se não houvesse amanhã. Embalo a esperança, adormeço a alma e tento adormecer também. E sonho. Com os olhos abertos. Com os olhos postos nas estrelas. Sonho e acredito. No que quero acreditar. E acredito que sim. Que vou chegar. A bom porto.
Acendo mais um cigarro. Na calada da noite. É o último de hoje. Como este cigarro, mastigo-lhe o fumo. Como se a ponta rubra de fogo, fosse um prenúncio de sorte. É a última passa. Adio-lhe a morte certa - do cigarro - por mais uns minutos. Aproveito para dizer até amanhã à lua.
Imagino-te em forma de estrela. A estrela mais bonita do céu. Pisco-te o olho. A estrela retribui. A estrela e tu. Acabo com o que resta deste cigarro. Beijo-te, com o meu coração.
Até amanhã meu amor

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cores

A vida pode ser vermelha de paixão, ou amarelada de tédio. Ou cinzenta de tristeza. Ou negra de mau azar. Ou azul da cor do céu. E com sorte, a vida pode ter as cores do arco - íris. Mas há dias em que a vida é cor de burro quando foge. Cor de nada. Passemos à frente e vamos novamente à paleta do pintor. Vamos escolher cores e vamos pintar. A vida. O sorriso. A felicidade. A esperança. A amizade. O amor.
Pinta-se a vida de vermelho? Pode ser! Rubra de amor, que se pinta quase da mesma cor. E de um vermelho mais vivo, pinta-se a paixão. Está perfeito. Não se mexe mais. E agora vamos ao verde. Verde, verdinho, clarinho e cristalino, verde mais escurinho, verde garrafa, pintamos a esperança. Em tons de terra, terra quente, castanho - avermelhado, pinta-se a bondade. E a amizade pinta-se com o azul mais bonito do céu. E agora, que vamos pintar a seguir? Os sorrisos, pois claro. Da cor do sol. Quente e radioso. E a felicidade pode ser alaranjada. Para que o quadro fique perfeito, deixamos de fora o preto e o cinzento. Para não borrar a pintura.

Ânimo

Façam-me rir mas por favor não me contem anedotas. Sobretudo anedotas parvas. Agora que penso nisso - tenho imenso tempo para pensar, sabiam? - parece-me que todas as anedotas são parvas. E fica por aqui a conversa das anedotas. Mas, vá lá, façam-me rir. Tentem. Contem-me coisas com graça. Com muita graça. Que me façam rir. Estou a precisar de dar umas boas gargalhadas. Daquelas sonoras. Que estremecem as paredes. Que enchem a casa.
Pois é. São poucas as pessoas que me fazem rir, que me desenham um sorriso nos lábios. São tão poucas que - se calhar - as posso contar pelos dedos das mãos. Mas os pouco são bons. E até quando não me fazem rir. Porque lhes sinto o abraço, o ombro amigo, a mão estendida. Porque lhes vejo o sorriso, a alma lavada, o coração grande. E por isso beijo-lhes a bondade. Agradeço-lhes a disponibilidade. Porque mesmo quando não me fazem rir, tentam. Sem ser com anedotas parvas. E quando não me fazem sorrir à primeira, continuam a oferecer-me um imenso sorriso, um abraço, uma semente de esperança. E lembram-me a necessidade de continuar a acreditar.
Acredito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

De volta

O meu pai já está em casa há alguns dias. E eu tenho a alma lavada. Doeu a ausência, a incerteza, um certo medo. Doeu muito! E voltou a doer depois de um pequeno susto que o levou de novo ao hospital com um pouco de febre. Agora está a melhorar. Devagar. Também não há pressa. Vivemos apenas um dia de cada vez.
Existem momentos na vida em que percebemos mais claramente quais são as prioridades. E os amigos também.
E compreendemos que é melhor viver um dia de cada vez.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Força

Afinal o meu pai não tinha só "bicos de papagaio" (ver http://pelosonhoehquevamos.blogspot.com/2009/01/eficiencia.html). Na madrugada seguinte queixava-se tanto de uma forte dor no peito que o levei - novamente - para as urgências. E ficámos a saber que estava com uma pneumonia. Ficou internado.
Não vale a pena partilhar o que se sente quando se deixa o pai no hospital e se vai para casa contar à mãe. E no caminho se telefona à mana. Não vale a pena (d)escrever o que se sente antes e depois de cada visita ao pai.
Quem já deixou o pai no hospital, sabe bem o que fica. Como se fica. Quem não passou pela experiência, não precisa de saber. Se um dia tiver que ser, vai sentir. Mas não vale a pena alimentar qualquer curiosidade.
Agora o tempo é de esperança. De força. De coragem. De união. Pelo pai, pela mãe, pela mana, por nós. Estamos juntos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ora bolas

Já não se pode elogiar.
Depois explico.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Eficiência

Tenho 46 anos, e pela primeira vez na minha vida, fui bem atendida no Hospital de S. Bernardo em Setúbal. Pela primeira vez - realço - fui bem atendida, sem necessidade de recorrer a conhecimentos ou cunhas. E com a mesma naturalidade com que me indignei quando me senti menos bem naquela instituição, hoje estou aqui para elogiar o bom serviço.
Estive hoje nesse hospital, a acompanhar o meu pai. Queixava-se de uma dor lombar que poderia indiciar muita coisa, aliada à gripe que oportunisticamente o atacou. Liguei para o INEM à procura de ajuda. Indicaram-me o hospital, por causa da dor lombar. A febre já tinha baixado mas a dor lombar causava alguma preocupação. Em pouco mais de duas horas foi atendido, medicado, radiografado e diagnosticado o problema. Com uma eficiência que não tenho memória.
Fico agora com essa boa lembrança. Por isso partilho este testemunho. Porque o profissionalismo, a simpatia, a eficiência e a rapidez merecem este reconhecimento.
Já agora, a dor lombar foi provocada por "bicos de papagaio". Dentro de dias, o pai vai estar completamente bem.