quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Cores

A vida pode ser vermelha de paixão, ou amarelada de tédio. Ou cinzenta de tristeza. Ou negra de mau azar. Ou azul da cor do céu. E com sorte, a vida pode ter as cores do arco - íris. Mas há dias em que a vida é cor de burro quando foge. Cor de nada. Passemos à frente e vamos novamente à paleta do pintor. Vamos escolher cores e vamos pintar. A vida. O sorriso. A felicidade. A esperança. A amizade. O amor.
Pinta-se a vida de vermelho? Pode ser! Rubra de amor, que se pinta quase da mesma cor. E de um vermelho mais vivo, pinta-se a paixão. Está perfeito. Não se mexe mais. E agora vamos ao verde. Verde, verdinho, clarinho e cristalino, verde mais escurinho, verde garrafa, pintamos a esperança. Em tons de terra, terra quente, castanho - avermelhado, pinta-se a bondade. E a amizade pinta-se com o azul mais bonito do céu. E agora, que vamos pintar a seguir? Os sorrisos, pois claro. Da cor do sol. Quente e radioso. E a felicidade pode ser alaranjada. Para que o quadro fique perfeito, deixamos de fora o preto e o cinzento. Para não borrar a pintura.

Ânimo

Façam-me rir mas por favor não me contem anedotas. Sobretudo anedotas parvas. Agora que penso nisso - tenho imenso tempo para pensar, sabiam? - parece-me que todas as anedotas são parvas. E fica por aqui a conversa das anedotas. Mas, vá lá, façam-me rir. Tentem. Contem-me coisas com graça. Com muita graça. Que me façam rir. Estou a precisar de dar umas boas gargalhadas. Daquelas sonoras. Que estremecem as paredes. Que enchem a casa.
Pois é. São poucas as pessoas que me fazem rir, que me desenham um sorriso nos lábios. São tão poucas que - se calhar - as posso contar pelos dedos das mãos. Mas os pouco são bons. E até quando não me fazem rir. Porque lhes sinto o abraço, o ombro amigo, a mão estendida. Porque lhes vejo o sorriso, a alma lavada, o coração grande. E por isso beijo-lhes a bondade. Agradeço-lhes a disponibilidade. Porque mesmo quando não me fazem rir, tentam. Sem ser com anedotas parvas. E quando não me fazem sorrir à primeira, continuam a oferecer-me um imenso sorriso, um abraço, uma semente de esperança. E lembram-me a necessidade de continuar a acreditar.
Acredito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

De volta

O meu pai já está em casa há alguns dias. E eu tenho a alma lavada. Doeu a ausência, a incerteza, um certo medo. Doeu muito! E voltou a doer depois de um pequeno susto que o levou de novo ao hospital com um pouco de febre. Agora está a melhorar. Devagar. Também não há pressa. Vivemos apenas um dia de cada vez.
Existem momentos na vida em que percebemos mais claramente quais são as prioridades. E os amigos também.
E compreendemos que é melhor viver um dia de cada vez.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Força

Afinal o meu pai não tinha só "bicos de papagaio" (ver http://pelosonhoehquevamos.blogspot.com/2009/01/eficiencia.html). Na madrugada seguinte queixava-se tanto de uma forte dor no peito que o levei - novamente - para as urgências. E ficámos a saber que estava com uma pneumonia. Ficou internado.
Não vale a pena partilhar o que se sente quando se deixa o pai no hospital e se vai para casa contar à mãe. E no caminho se telefona à mana. Não vale a pena (d)escrever o que se sente antes e depois de cada visita ao pai.
Quem já deixou o pai no hospital, sabe bem o que fica. Como se fica. Quem não passou pela experiência, não precisa de saber. Se um dia tiver que ser, vai sentir. Mas não vale a pena alimentar qualquer curiosidade.
Agora o tempo é de esperança. De força. De coragem. De união. Pelo pai, pela mãe, pela mana, por nós. Estamos juntos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ora bolas

Já não se pode elogiar.
Depois explico.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Eficiência

Tenho 46 anos, e pela primeira vez na minha vida, fui bem atendida no Hospital de S. Bernardo em Setúbal. Pela primeira vez - realço - fui bem atendida, sem necessidade de recorrer a conhecimentos ou cunhas. E com a mesma naturalidade com que me indignei quando me senti menos bem naquela instituição, hoje estou aqui para elogiar o bom serviço.
Estive hoje nesse hospital, a acompanhar o meu pai. Queixava-se de uma dor lombar que poderia indiciar muita coisa, aliada à gripe que oportunisticamente o atacou. Liguei para o INEM à procura de ajuda. Indicaram-me o hospital, por causa da dor lombar. A febre já tinha baixado mas a dor lombar causava alguma preocupação. Em pouco mais de duas horas foi atendido, medicado, radiografado e diagnosticado o problema. Com uma eficiência que não tenho memória.
Fico agora com essa boa lembrança. Por isso partilho este testemunho. Porque o profissionalismo, a simpatia, a eficiência e a rapidez merecem este reconhecimento.
Já agora, a dor lombar foi provocada por "bicos de papagaio". Dentro de dias, o pai vai estar completamente bem.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Grandes medidas

O governo ordenou a retirada das caixas de multibanco dos tribunais para... acabar com os assaltos. Porque as portas dos edifícios não tinham as devidas medidas de segurança, porque as atm's não estariam devidamente encastradas. Ao cidadão comum pareceria mais saudável reforçar a segurança. Ao governo, nem por isso. Cortou o mal pela raíz.
Perseguindo a lógica governamental, não me espantaria nada se o governo proibisse a circulação de viaturas de luxo para evitar o carjacking.
Numa altura em que o país afia a lingua para comentar os recentes encândalos que envolvem o Freeport, o governo manda retirar atm's dos tribunais. Ainda bem! Porque podia ser bem pior! Poderia este governo atentar contra a democracia, mandando calar os jornalistas que investigam este caso tão mediático.
E queixa-se o primeiro ministro da política do bota abaixo. Ora bolas!