segunda-feira, 11 de junho de 2007

O melhor exemplo

Escrevo estas linhas a pensar num homem bom, naturalmente generoso, sábio, que há vinte e um anos apadrinhou a minha vida profissional. Dei os primeiros passos na rádio (Rádio Azul, em Setúbal) pela mão segura do jornalista Jorge Simões. Anos mais tarde entrei no mundo da televisão, também bem apoiada no braço forte deste grande profissional.
Com ele reaprendo todos os dias a importância do empenho, do rigor e da isenção e até as palavras mais convenientes a dizer na hora do aperto (e aplicadinha, repito com bastante agilidade). Com ele reaprendo também diariamente valores seguros para a vida como a dimensão do respeito e da amizade.
O meu “pai profissional” é a candeia sempre acesa que me ilumina mesmo na noite mais escura. Quando faço algum disparate, sou “docemente” criticada e chamada à razão. O Jorge é um homem de princípios, isento, cheio de bom senso. Os sábios ensinamentos que me tem transmitido estão gravados na memória e no coração com letras de ouro.
Há muitos anos deu-me uma lição preciosa: “Esta sala onde trabalhamos chama-se redacção porque é aqui que escrevemos, que pomos à prova a nossa independência e a nossa criatividade. No dia em que deixares que alguém te dite uma notícia, muda o letreiro desta sala e chama-lhe ditado”.
É por isso que me orgulho de ter trabalhado numa redacção que nunca mudou de nome; num espaço feito catedral pelos bons exemplos do Jorge, a quem tenho o privilégio de chamar também Amigo.
Escrevi grande parte desta prosa há dois anos; o Jorge Simões leu e pronunciou-se. Agora, quando reler estas linhas, vai certamente barafustar comigo e resmungar qualquer coisa do género: "Eu não sou assim tão perfeito. Exageraste outra vez!". Por isso e em nome do rigor, acrescento às inumeras qualidades do meu Amigo, um imenso "mau feitio" na mesma proporção da bondade, talento e criatividade, que fazem dele um ser humano maravilhoso.
O respeito, a admiração e o afecto que tenho por este homem, grande de coração e verticalidade, dão-me diariamente força e coragem para lhe seguir os passos. Porque existem valores mais altos que vale a pena cultivar.

3 comentários:

Carlos Neto Coelho disse...

Grande malha Lai-Lai. Adorei a foto que tens no post inicial. Beijos GRANDES!

Natália Abreu disse...

Minha querida madrinha:
Reconheço parte da prosa aqui publicada, tive o prazer de ser das primeiras pessoas a lê-la. Já na altura fiquei com "inveja" de não ser capaz de dizer da mesma forma, com o mesmo engenho e arte, algumas das coisas que dizes do "Sr Jorge" como, atrevo-me a dizê-lo, temerosamente alguns dos "maçaricos" como eu o tratávamos.
Nutro por ti, e tu sabes disso, a mesma admiração que nutres pelo Jorge. Tenho por ti uma sincera e forte gratidão por todos os ensinamentos que me soubeste passar - inclusivé o do ditado. Revejo em ti e em alguns dos puxões de orelhas que levei o mesmo mau feitio que atribuis ao Jorge Simões.
Talvez, também eu, um dia, seja capaz de "desenhar" um blog com sentimentos e gratidões onde poderei contar as "estórias" da minha vida profissional e desta aventura gigantesca que é crescer. E se um dia eu fôr capaz de o fazer, terás certamente o teu nome escrito nessas páginas. Espero só ser capaz de escrever prosa tão boa como a que a minha "velha" madrinha escreve e como ela me tentou ensinar.
E já agora, não venhas tu barafustar comigo dizendo que não és assim tão perfeita. Obviamente que não és perfeita, mas foste e serás sempre a mais perfeita das madrinhas e, certamente, uma das mais honestas e verticais amigas.
Beijos grandes

Pedro Conceição disse...

Querida Lai: não fazes qualquer favor nem cometes o pecado do exagero: o SENHOR (notem o extenso)Jorge foi o meu mestre, achou que "aquele puto" poderia "dar alguma coisa" e puxou por ele até quando o deixaram e as asas cresceram; O SENHOR Jorge (não te vejo vai praí uns...13, 14 anos?!) ensinou-me coisas que jamais esquecerei, que passo sempre aos mais novos quando dou formação e é o responsável por me ter fornecido os alicerces de betão armado que estão na base da minha profissão.
Para além do Jorge, na "nossa" Rádio Azul, tu, Lai, foste a outra responsável por "qualquer coisa" que eu seja hoje. Aprendi com os teus gritos e com o teu mau feitio tal como com os teus beijos e abraços. Não sou nem estou nostálgico. Mas sinto uma tristeza inominável quando passo pelas antigas instalações da nossa rádio e pior fico quando a oiço. Lai, tu, o Jorge, Gualter, Fernanda, António, Zé Luis, Zé Filipe, Teva, Mila, Claro, Picôto, Paulo Silva, Jaiminho, Palmeira, Bandinha, Jorge Coelho, Armando, Natália, Nuno,entre tantos outros, fizeram a melhor redacção onde tive o orgulho de me incluir e de trabalhar. Beijos.