sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Reviver o passado em Sesimbra


A vila piscatória de Sesimbra recupera este sábado (22/09/07) uma das tradições mais marcantes até à década de setenta; a antiga lota, na praia, junto à Fortaleza de Santiago, em frente ao largo da Marinha, local onde funcionou até 30 de Abril de 1973. Por esses tempos, era ali que os pescadores descarregavam o peixe e cada espécie era disposta de acordo com a importância que tinha no mercado.
O peixe-espada branco era estendido na areia lisa, a pescada era colocada em montes, virada de barriga para barriga, o goraz em cima de pirâmides de areia, a chaputa em vedações de caixas de madeira, a albacora em cima das caixa viradas ao contrário e o carapau e a sardinha eram por vezes vendidos ainda a bordo das embarcações.
Este autêntico ritual, prática diária na vila, atraía ao local para além dos compradores, também muitos veraneantes surpreendidos pela genuinidade de todo o processo. A venda do peixe era feita também de uma forma pouco comum; o peixe - a que era atribuído uma primeiro valor para venda - era vendido mediante uma espécie de leilão, em que o pregoeiro, de forma rápida e sem quaisquer enganos, "cantava" os valores pecuniários. Ou seja, imagine-se que a teca de peixe era atribuído valor de 200 escudos; a contagem começava aí e depois ia decrescendo, 199, 198, 197... até que o comprador interessava gritava. "Chui, o peixe é meu".
Numa autêntica lição de história ao vivo, a venda de peixe na antiga lota da praia deverá contar com cerca de uma centena de figurantes, entre antigos pescadores, vendedores e até pescadores.
Para ver, a partir das 15 horas



1 comentário:

Piedade Coelho disse...

E eu com os meus 34 anos ainda me lembro! Era muito pequena quando o pai me levou pela primeira vez a um leilão na lota. Lembro-me de perguntar como é que as pessoas percebiam o senhor estava para ali a gritar... era uma algaraviada pegada, cantada, e depois alguém gritava e a contagem parava para re-iniciar logo a seguir. O pai encolhia os ombros e ria-se. "Sabem! Já estão habituados." Lembro-me de chegarmos a casa do avô e da avó e eu estar toda entusiasmada a mostrar ao avô que já sabia fazer o pregão (uns barulhos que fazia com a lingua enrolada, mais isso). O avô brincava comigo e dizia-me para continuar a treinar, um dia chegava lá. Entretanto lá ia "torrando" a paciência a todos lá em casa com a minha nova "habilidade".
Tenho muito poucas recordações da minha infância em Sesimbra, mas esta é daquelas que, como diz o outro, está cá dentro.