segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Criatura da Noite II

Nos primeiros dois anos em que trabalhei na Rádio Azul, o desmesurado número de madrugadas na informação, valeram-me a alcunha de Morcego... Azul! Foram tantas, que perdi a conta. Sei que bati o recorde da redacção. E de manhã, faltava-me sono. Adormecer era muito complicado. E comecei a gostar ainda mais da noite. Da noite para trabalhar, para viver, para escrever, para criar e também para estar com os amigos. Há vinte e um anos, eu era assim. E também era mais bem disposta (apesar de já ter muito mau feitio) e achava outra graça à vida e mais graça às coisas.
O Morcego (Azul) faz parte das muitas memórias boas da rádio. São doze anos de muitas boas memórias. Das outras, cinzentas, nem vale a pena falar. E nas memórias bonitas fazem parte também pessoas, momentos, afectos e discos. Temas que ficam como marcos também de muito boa disposição; em 1993, os "Entre Aspas" lançaram o primeiro disco, "Entre S.F.F." e um dos temas ficou facilmente no ouvido, também pela sonoridade. A letra, diz-me muito. O tema chama - se "Criatura de Noite".
Na Rádio Azul, como em muitas outras rádios, o disco passava em quase todos os programas. Uma das animadoras da estação gostava tanto que também cantava (felizmente com o microfone fechado) num tom tão alto, tão alto, e porque não devia gostar de se ouvir, aumentava o som das colunas ao máximo e generosamente - abria as portas do estúdio e da régie para partilhar o momento com todos os companheiros de serviço, que imensamente gratos pela atenção, a mimavam com palavras "muito doces", após a primeira reacção: "LEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!"
"Matem" as saudades da canção no post mais abaixo. Para ouvirem a Lena (sem ser a cantar) têm que sintonizar a Pal FM.

3 comentários:

Natália Abreu disse...

Realmente foram bons tempos... De muito boas memórias!!! E de muitos afectos, sim! Afectos que perduram e que vão acompanhar-nos na vida!
Mas para além da criatura da noite, recordo a "alegria" de acordar (sim, porque até às sete da manhã a malta não está acordada, só simplesmente não está a dormir), a alegria, dizia eu, de acordar com as minhas queridas madrinhas a cantar o hino de frança a plenos pulmões!!!
"allons enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé!!!!"

Helena de Almeida disse...

Olá Morcego Azul.
Não poderia deixar de tecer um comentário, a mais uma pérola das muitas que encontro neste blog.
Obrigada pela recordação!
Que temposs..
Os velhos tempos do vinil.
Um beijo grande minha amiga. Parabéns pelos textos fantásticos
É um orgulho ser tua amiga..
Queres que cante?Agora? ahahahah

Helena Almeida

Anónimo disse...

METADE
Que a força do medo que tenho não impeça de eu ver o que anseio. Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra é silêncio. Que esse vontade que eu tenho de ir embora se transforme na... calma e na paz que eu mereço. Porque metade de mim é a partida e a outra metade é a saudade. Que o medo da solidão se afaste, que o convivio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrançado que fui, a outra metade eu não sei.